domingo, 29 de dezembro de 2013

12/06/13





Tudo sob controle: instaladas as TV’s do 12 e do 16, regadas as plantas e os espanhóis do 14 já chegaram. O que me incomoda no momento é o fato de que todos leram Marx e muito poucos leram Proudhon. Na primeira metade do século XIX o francês já tinha percebido que o sistema (capitalista industrial da sua época) era tão imaginário quanto qualquer utopia, ou seja, se fundava sobre premissas completamente arbitrárias, capazes de gerar contradições absurdas. A mais básica e persistente é que a riqueza das nações aumenta tanto quanto o número de miseráveis no mundo. Tudo isso está muito bem explicado no livro “Filosofia da Miséria”. A questão é explicar pra camareira que ela tem que vir trabalhar e deixar a filha sozinha em casa (não tem vaga nas creches) porque um determinado número de pessoas decidiu que toda a economia deveria girar em torno da acumulação e crescimento das riquezas (deles) tendente ao infinito. Além de explicar isso, temos que convencê-la de que isso é normal e, principalmente, que não poderia ser de outra forma. Ou ainda, que a culpa pela situação é dela, que não estudou, que fez um filho, que mora num lugar onde não tem vaga na creche e, como alguns gostam de proclamar por aí, que não mobiliza a vizinhança sai pra protestar na rua. Nesse caso a sabedoria popular não falha: patrão é tudo filho da puta. Mesmo não sendo de propósito. O problema é o tal preceito básico, que gerou a necessidade universal de estar de posse, ou ser capaz de levantar, uma determinada soma de dinheiro para conquistar o direito à existência. Este fato da vida (gerado pela decisão arbitrária de um determinado número de pessoas) acaba consumindo a própria existência, na medida em que o sistema se apropria de praticamente todas as possíveis atividades, mesmo aquelas que seriam voltadas ao prazer, ao crescimento racional e espiritual, da vida e gera a ideia da necessidade de adquirir mais riqueza para poder comprar conforto, diversão e felicidade. Qual seria a solução? Essa é a pergunta, porque eu sou só porteiro da noite na pousada. Talvez fosse interessante refletir sobre o real valor das coisas; o que, por sinal meu amigo Proudhon faz muito bem na já citada obra. Cheguei a pensar que seria propício aproveitar o momento em que cresce a quantidade de ricos infelizes e vender-lhes qualquer tipo de ilusão. Tipo tainha congelada dizendo que foi pescada de manhã, vender coisa velha com rótulo de “vintage”... usar a questão do discurso a nosso favor, já que uma boa parte da elite não sabe que o sistema só se perpetua pela sua capacidade de assimilação dos discursos dissonantes, fazendo com que todos se encaixem no preceito. Seria o caso de usar o discurso deles contra eles enquanto se cria um desenvolvimento paralelo não baseado no lucro e na competição, mas na harmonia das contribuições e da cooperação? Vai saber. O que me consola no momento é a certeza de que a camareira, o jardineiro e o porteiro são mais felizes que o dono da parada. Disso eu tenho certeza e é daí que nasce a esperança. Feito o desabafo, partiu pro lanchinho que a Dona Nalva deixou ali e, claro, uma breve sessão de degustação de ervas aromáticas. Só pra variar, é o cara decidir fazer alguma coisa, que outra coisa acontece. R$ 200 um táxi daqui até o Balneário Camboriú. Claro, com a taxa de 10% pro porteiro. Pros gringos é razoável: 80 eurinhos. É isso que eu tava falando antes: arrepia que os caras pagam e se sentem felizes. Piada do dia: abaixo do vídeo Legião Urbana – ao vivo em Porto Alegre 1990 –show Quatro Estações foi colocado o seguinte comentário: “O Legião, apesar de ser liderado por um cara totalmente desequilibrado, se destaca no Rock Nacional”! (se alguém lembra, na abertura do show no Jockey Club o Renato se apresenta e lá pelas tantas dispara: “algumas pessoas dizem que sou louco”)→ ATÉ HOJE, MEU!

11/06/13





Dia cheio hoje: dar uma geral no jardim de inverno, instalar a TV no quarto 14, levar a colega em casa, check-in dos alemães, estudo do período composto, registro de reservas; e ainda corre o risco de chegar mais um casal e tem que fazer o translado dos outros colegas. Tem que falar pra turma que o “check-out time is untill 12h”. Fora isso, é uma merda que tenha parado o Brasileirão. Agora que o Inter ia engrenar. Parece que a tainha não ta chegando como o esperado. Ou, no caso aqui da zona, não ta chegando. O que ta bom é o programinha Tuesday da Putzgrila. Por que essas músicas modernas são fáceis de reconhecer? Pela chatice? Chatinho sou eu, que chamo as músicas de chatinhas e bla, bla, bla... (é foda dizer que as músicas dos caras são chatas) → é porque a comparação é RosaTattooada, “O inferno vai ter que esperar”. Foi pro cigarrinho. Será? É o cara resolver fumar que acontece alguma coisa. Mas a Dona Margarete ta empolgada com o tratamento VIP. Diz que amanhã vai adentrar o Salão do Café às 8h em ponto.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

10/06/2013



Eu fico feliz quando vejo a alegria da simplicidade. Ou da opulência de coisas que não custam dinheiro. E o pior é que a tudo o que consigo pensar de bom a respeito disso se contrapõe (o já conhecido) discurso de culpa judaico-cristã na sua concepção atual de produção e consumo. No sentido de que o cara só pensa na alegria da simplicidade porque o cara é o porteiro da noite. Se não tivesse feliz assim, “tava fudido, nêgo”. E nessas o cara vai, no joguinho de olhar cada vez (mais) de fora a situação. Nesse ponto, como normalmente acontece, interrompe-se toda a linha de raciocínio. É a dúvida de escrever ou não que a viagem é só escrever; e a tremedeira; e a lembrança constante que tenho que colocar um som: “Whitesnake– Rock in Rio 1985 – Full Concert”. E o próximo é o AC/DC. Pura garra e dedicação ao Rock’n’Roll. A introdução do AC/DC é de chorar... tu tá é loco! O AC/DC É BOM PRA CARALHO! Com umas trakinas e um leitinho então... é todo um processo de aferição do potencial criativo e da capacidade de preencher o turno laborativo. Esses são os tipos de coisas que se entendem por alegria da simplicidade. Partiu pro leitinho que isso aqui já virou perda de tempo.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Dia desconhecido






Quem é que dança sentado na frente da tela do computador? Às 3h14 da madrugada? É, no mínimo, o tipo de situação interessante. Quando é com os outros é porque são escravos do sistema. Quando é no do cara é “tentar viver à margem” do sistema. Como se o mundo (o universo) girasse em torno do umbigo. Mas é quase isso. Ou pelo menos é a sensação que provoca a combinação de THC e Legião Urbana noJockey Club – Rio de Janeiro – 1990. Fato é que tem funcionado. Afinal, são 3h20, o chimarrão tá frio e eu estou aqui entre imitar o Renato Russo e escrever o textinho. Esse é bem o tipo que não pode rolar. Não dá pra chegar num beco sem saída. Tem que acreditar na parada. O Renatão nitidamente tinha toda a noção do que representa o Rock’n’Roll e do seu próprio papel enquanto Rock Star. Acreditava na parada. Acho que tá no prefácio do livro do Lester Bangs: o Rock’n’Roll é o meio para uma mensagem; o problema (começa quando) ele se torna a própria mensagem. Toda a autenticidade dele vem do fato de ser o (veículo) do foda-se. Vou subir lá de óculos e bigodinho e quebrar tudo. Afinal, “dizem que eu sou meio louco. Eu sou o vocalista de uma banda de Rock”. E tirem suas conclusões. Será que interessa pra alguém saber que agora é 3h39? Pra efeito de cálculo, saber quanto tempo leva essa viagem toda. Pronto, foi só falar na viagem que veio o deslocamento de personalidade. Assim tudo fica ridículo. Menos o Renato olhando brabo pro Marcelo Bonfá, que tá quase furando a pele da caixa pra tocar “Se fiquei esperando meu amor passar”. Vamo lá, todo mundo!: “cordeiro de deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós”.... toma na cara teu senso de culpa judaico-cristão. Briga com o público. Estrela do Rock. “É Legião, é Legião, olê, olê, olê”. E no fim vai indo, assim como a carteira de Derby. Porque as coisas têm uma certa lógica. Condizências. Cada objeto condizente com a situação. É assim que passa. Quase uma hora de intervalo entre um cigarro e outro.