Quem é que
dança sentado na frente da tela do computador? Às 3h14 da madrugada? É, no
mínimo, o tipo de situação interessante. Quando é com os outros é porque são
escravos do sistema. Quando é no do cara é “tentar viver à margem” do sistema.
Como se o mundo (o universo) girasse em torno do umbigo. Mas é quase isso. Ou
pelo menos é a sensação que provoca a combinação de THC e Legião Urbana noJockey Club – Rio de Janeiro – 1990. Fato é que tem funcionado. Afinal, são
3h20, o chimarrão tá frio e eu estou aqui entre imitar o Renato Russo e
escrever o textinho. Esse é bem o tipo que não pode rolar. Não dá pra chegar
num beco sem saída. Tem que acreditar na parada. O Renatão nitidamente tinha
toda a noção do que representa o Rock’n’Roll e do seu próprio papel enquanto
Rock Star. Acreditava na parada. Acho que tá no prefácio do livro do Lester
Bangs: o Rock’n’Roll é o meio para uma mensagem; o problema (começa quando) ele
se torna a própria mensagem. Toda a autenticidade dele vem do fato de ser o
(veículo) do foda-se. Vou subir lá de óculos e bigodinho e quebrar tudo.
Afinal, “dizem que eu sou meio louco. Eu sou o vocalista de uma banda de Rock”.
E tirem suas conclusões. Será que interessa pra alguém saber que agora é 3h39?
Pra efeito de cálculo, saber quanto tempo leva essa viagem toda. Pronto, foi só
falar na viagem que veio o deslocamento de personalidade. Assim tudo fica ridículo.
Menos o Renato olhando brabo pro Marcelo Bonfá, que tá quase furando a pele da
caixa pra tocar “Se fiquei esperando meu amor passar”. Vamo lá, todo mundo!: “cordeiro
de deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós”.... toma na cara
teu senso de culpa judaico-cristão. Briga com o público. Estrela do Rock. “É Legião,
é Legião, olê, olê, olê”. E no fim vai indo, assim como a carteira de Derby.
Porque as coisas têm uma certa lógica. Condizências. Cada objeto condizente com
a situação. É assim que passa. Quase uma hora de intervalo entre um cigarro e
outro.



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