terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Dia desconhecido






Quem é que dança sentado na frente da tela do computador? Às 3h14 da madrugada? É, no mínimo, o tipo de situação interessante. Quando é com os outros é porque são escravos do sistema. Quando é no do cara é “tentar viver à margem” do sistema. Como se o mundo (o universo) girasse em torno do umbigo. Mas é quase isso. Ou pelo menos é a sensação que provoca a combinação de THC e Legião Urbana noJockey Club – Rio de Janeiro – 1990. Fato é que tem funcionado. Afinal, são 3h20, o chimarrão tá frio e eu estou aqui entre imitar o Renato Russo e escrever o textinho. Esse é bem o tipo que não pode rolar. Não dá pra chegar num beco sem saída. Tem que acreditar na parada. O Renatão nitidamente tinha toda a noção do que representa o Rock’n’Roll e do seu próprio papel enquanto Rock Star. Acreditava na parada. Acho que tá no prefácio do livro do Lester Bangs: o Rock’n’Roll é o meio para uma mensagem; o problema (começa quando) ele se torna a própria mensagem. Toda a autenticidade dele vem do fato de ser o (veículo) do foda-se. Vou subir lá de óculos e bigodinho e quebrar tudo. Afinal, “dizem que eu sou meio louco. Eu sou o vocalista de uma banda de Rock”. E tirem suas conclusões. Será que interessa pra alguém saber que agora é 3h39? Pra efeito de cálculo, saber quanto tempo leva essa viagem toda. Pronto, foi só falar na viagem que veio o deslocamento de personalidade. Assim tudo fica ridículo. Menos o Renato olhando brabo pro Marcelo Bonfá, que tá quase furando a pele da caixa pra tocar “Se fiquei esperando meu amor passar”. Vamo lá, todo mundo!: “cordeiro de deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós”.... toma na cara teu senso de culpa judaico-cristão. Briga com o público. Estrela do Rock. “É Legião, é Legião, olê, olê, olê”. E no fim vai indo, assim como a carteira de Derby. Porque as coisas têm uma certa lógica. Condizências. Cada objeto condizente com a situação. É assim que passa. Quase uma hora de intervalo entre um cigarro e outro.

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